Se escolha, todo dia!
- Marcia Dias
- 17 de fev.
- 2 min de leitura

Existe um momento na vida de toda mulher em que ela para.
Para de viver no automático.
Para de se definir apenas pelos papéis que carrega.
Para de ser tudo para todos e começa, finalmente, a ser para si.
Eu me escolho.
Não para agradar ninguém.
Não para provar nada a ninguém.
Mas para que, ao final da noite, eu deite a cabeça no travesseiro
com a certeza de que fui fiel a mim mesma.
Não sou apenas os nomes que me deram.
Não sou apenas as funções que exerço.
Sou a mulher que sente, que pensa, que muda,
que às vezes precisa de silêncio,
que aprende a dizer não sem carregar culpa.
Ser seletiva não é ser fria.
É entender que presença é escolha, não obrigação.
É saber que paz vale mais do que aprovação.
É não se abandonar para caber na expectativa dos outros.
E quando eu corro, eu vejo.
Vejo os olhares.
O foco.
O desdém.
E FATO: principalmente das mulheres.
Como se uma mulher de 50 anos ou mais não pudesse correr na rua. Colocar um short curto. Mostrar suas falhas, sua barriguinha, estrias.. Não estar maquiada. Estar sim, suada e sorrindo.
Como se felicidade tivesse prazo de validade.
Como se coragem tivesse idade.
Mas eu me escolhi.
Eu não escolhi o olhar deles.
Eu não pedi permissão.
Eu não pedi aprovação.
Eu não pedi julgamento.
Eu escolhi fazer o que me faz feliz.
Porque o julgamento pesado quase sempre vem de quem não faz nada.
De quem não sabe o que quer para si,
mas sabe criticar o caminho do outro.
E isso não me pertence.
Eu me escolho quando digo “não quero”.
Eu me escolho quando me afasto do que me fere.
Eu me escolho quando paro de me explicar para quem não quer entender.
Eu me escolho quando respeito o que sinto.
Porque quem está hoje pode não estar amanhã.
Mas eu estarei comigo todos os dias.
E essa é a relação que precisa ser cuidada com verdade.
Toda mulher precisa se olhar no espelho e se reconhecer além dos rótulos.
Precisa ter coragem de sustentar quem é,
mesmo quando isso desagrada.
Eu me escolho todos os dias.
Não por egoísmo,
mas por identidade.
Não por orgulho,
mas por amor próprio.
E quando a noite chega,
eu descanso em meu travesseiro, agradeço
sabendo que fiz o melhor por mim.


Comentários