
Eu escolho o formato que me faz leve!
- Marcia Dias
- 12 de fev.
- 2 min de leitura
Entre acordar e café, optei correr um pouco, sempre buscando energia interna. E nessas caminhadas e corridas, flui reflexões.
E foi no meio da corrida, com a respiração tentando encontrar ritmo e os pensamentos correndo mais rápido que minhas pernas, que eu comecei a refletir sobre como os relacionamentos mudaram.
No trajeto, vi dois casais.
O primeiro caminhava lado a lado. Conversavam tranquilamente. Não estavam de mãos dadas. Não havia demonstrações exageradas. Apenas presença. Companhia. Sintonia silenciosa.
Alguns metros depois, vi outro casal. Caminhavam também. Mas, a cada poucos segundos, eram beijos, abraços, toques constantes. Parecia que precisavam reafirmar o tempo todo que estavam juntos.
E ali, correndo, eu percebi a ambiguidade da cena.
Dois casais.
Duas formas completamente diferentes de se relacionar.
E, ainda assim, os dois aparentavam estar felizes exatamente do jeito que estavam.
Foi aí que eu entendi: não é sobre forma. Não é sobre rótulo. Não é sobre demonstrar mais ou menos. É sobre como aquilo faz sentido para quem está vivendo.
Tenho pensado muito em como os relacionamentos mudaram. Parece que ninguém mais quer “relacionamento”. Parece que ninguém mais quer responsabilidade afetiva. Parece que todo mundo quer algo “sem compromisso”.
Mas talvez o problema não esteja no “sem compromisso”. Talvez esteja na nossa dificuldade de entender o que realmente queremos — e se estamos prontos para viver aquilo que escolhemos.
Porque o importante não é o relacionamento em si.
É a pessoa saber o que quer.
É entender se está pronta para aquele formato de relação.
Se eu estou feliz assim, está ótimo.
Se esse formato me respeita, me traz leveza e verdade, então ele faz sentido.
“Sem compromisso” não significa, necessariamente, sair com dez ou vinte pessoas ao mesmo tempo. Em alguns casos pode ser. Mas em muitos outros, significa apenas que cada um continua na sua casa. Cada um administra o seu dia. Cada um tem sua rotina, seus filhos, seu trabalho, seus estudos.
A nossa cabeça é um processador constante de ideias. A gente acorda pensando na reunião do dia seguinte, no horário de levar o filho à escola, no almoço que não pode atrasar, no curso que não pode faltar. Emenda uma tarefa na outra e, quando percebe, o dia acabou.
Mas isso não quer dizer que não exista espaço para alguém.
Pode existir espaço, sim.
Para um afeto.
Para um beijo.
Para um abraço demorado.
Para um sexo gostoso.
Para uma conexão leve e sincera.
Nem tudo precisa virar status. Nem tudo precisa ser enquadrado em “casado”, “namorando”, “solteiro”. Às vezes, a necessidade de rotular pesa mais do que a própria relação.
Não ter um relacionamento tradicional não significa estar sozinha. E ter alguém com quem se conecta intimamente também não significa abrir mão da liberdade ou colecionar pessoas.
Conexão não é coleção.
Talvez a maturidade esteja justamente em entender que existem formas diferentes de estar junto. Como aqueles dois casais na minha corrida: um mais silencioso, outro mais expansivo — e nenhum deles mais certo ou mais errado.
O que importa não é o nome que se dá à relação.
É a consciência com que ela é escolhida.
É a responsabilidade de saber o que se quer.
E a coragem de viver isso com verdade
Se está feliz assim, então está ótimo.


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